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Custo da nova safra de soja mato-grossense cede, problema não

29/06/2009
Custo da nova safra de soja mato-grossense cede, problema não - Mal terminou a safra 08/09, e os sojicultores de Mato Grosso já estão de olho no próximo ciclo e mobilizando esforços para aproveitar da maneira mais rentável possível a nova temporada. Apesar da certeza de que os custos de produção encolheram cerca de 31%, já que o investimento por hectare plantado despenca de cerca de US$ 950 como foi em média nesta safra, para cerca de US$ 650, considerando uma produtividade de 50 sacas, ainda existem gargalos que deixam o cenário incerto para quem volta ao campo no segundo semestre deste ano. Entre eles está o passivo do endividamento rural, a falta de logística e o novo agravante: a queda do poder de compra das principais potências mundiais e a conseqüente retração no consumo. A redução dos insumos, principalmente dos fertilizantes – produto que tirou o sono dos agricultores durante o preparo da última safra, contabilizando altas de até 300% - é o que puxa para baixo o custo da nova safra de soja mato-grossense. "Atravessamos mais uma safra com todos esses problemas, muitos deles que se arrastam desde 2005 e com a logística corroendo 40% do preço da nossa soja", pontua o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Glauber Silveira. Porém, como alerta Glauber, a nova safra vai exigir investimentos de cerca de US$ 15 por saca, e o mercado não está sinalizando este valor até o momento. "O preço de fato da nova safra está menos extorsivo, porém, não elimina nossos problemas. Temos de plantar, investir cerca de R$ 1,3 mil a R$ 1,4 mil por hectare e sem saber por quanto vamos comercializar a nossa produção". Ontem por exemplo, a saca fechou em Rondonópolis (21º quilômetros ao sul do Estado) – a praça estadual que detém a melhor remuneração do Estado – teve valor de R$ 42,60, ou US$ 19,45. Na última quinta-feira, durante o lançamento da 4ª edição do Circuito Aprosoja, no Cenaruim Rural, em Cuiabá, evento com objetivo de disseminar informações para um melhor planejamento da safra, Glauber confirmou que o ritmo de colheita já abrange mais de 97% da área cultivada, mais de 5,58 milhões de hectares, com produção acima de 17 milhões de toneladas. No resumo de mais um ciclo, o presidente da Aprosoja/MT, confirma que a temporada "foi boa, houve preços interessantes, mas ainda o passivo do endividamento, aliado ao alto custo de produção, ainda não permitiram uma rentabilidade que pudesse levar a um planejamento da nova safra tranqüilo. Seguimos adiante com muita cautela e com a certeza de que não ainda ampliar a produção num cenário mundial de consumo marcado pelas incertezas. Afinal, a China, maior mercado consumidor do mundo enfrenta problemas relacionados à escassez de crédito no mundo e por isso não sabemos até quando este gigante estará apto ao consumo e quanto vai consumir". Glauber lembra que de fato o câmbio valorizado contribui para o segmento, já que tudo é dolarizado, menos a renda do produtor, porém, a mesma crise que elevou a cotação do dólar diante do real, é a mesma que reduz o poder de compra dos norte-americanos, europeus e asiáticos. "E por isso, neste momento, o mercado futuro da soja, não sinaliza movimentos, pois esta mesma crise reduziu o fluxo de crédito, esse crédito é o dinheiro que as multinacionais e os bancos em atuação aqui no país captam no exterior para entre outras coisas, financiar a safra, por meios de empréstimos ao segmento agrícola. Como se vê, os vieses desta crise mundial nos afetam de forma direta ou indireta e a instabilidade é o pior componente do ambiente de negócios".
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