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Rastreabilidade Bovina
Rastreabilidade, o
novo desafio da pecuária nacional
A
erradicação da febre aftosa não é a
única medida da pecuária nacional na
conquista dos mercados europeus e
americanos. Para tornar a carne
brasileira competitiva em mercados tão
exigentes, o Brasil precisa adotar a
rastreabilidade, em controle do animal
desde sua origem.
Nos paises da Europa, como França e
Inglaterra, o programa de
rastreabilidade começa a se consolidar.
O novo conceito tem ganhado espaço à
medida que cresce a exigência do
consumidor sobre os produtos e que se
aperfeiçoam o conhecimento e o controle
da produção.
No
caso do controle de alimentos de origem
animal, os europeus se tornaram mais
rigorosos depois da doença da vaca
louca. Em toda Europa os animais
transitam com passaporte que identificam
sua origem e sua movimentação, um
controle minucioso que começou a se
desenvolver no inicio da década e se
intensificou com a crise da doença da
vaca louca e agora com a contaminação
por dioxina. A implantação do programa
de rastreabilidade no Brasil, discutido
entre o governo federal e órgãos ligados
à pecuária, ainda depende de uma
portaria do ministério da Agricultura
com as normas do Programa Nacional de
Identificação de Animais. O modelo
brasileiro de rastreabilidade deve
adotar os melhores padrões
internacionais.
Na
Inglaterra, cada animal é brincado nas
duas orelhas (por precaução) até o
sétimo dia de vida por causa da produção
de vitelo. Os dados que acompanham o
animal são pais, número de inscrição da
fazenda, região da propriedade e número
de controle do animal no rebanho. Os
ingleses adotaram também um passaporte
do boi, com histórico minucioso do
animal, que gerou reclamações por parte
dos criadores por causa do excesso de
burocracia, mas tem sido seguido a
risco. Na França, o passaporte do animal
é mais simplificado.
O conceito de rastreabilidade se
sustenta em padrões rígidos porque
alguma falha em qualquer elo da cadeia
de produção compromete todo o sistema.
Um software de gestão e um banco de
dados estão sendo organizados pelos
técnicos do Fundepec (Fundo de
Desenvolvimento da Pecuária do Estado de
São Paulo), que coletam informações,
semanalmente, nas fazendas, frigoríficos
e supermercados. Esse banco de dados
permitirá rastreabilidade do programa de
qualidade. Inicialmente, o programa faz
apenas a identificação dos bovinos por
lote, mas a intenção é chegar à
identificação individual. Sem este
controle não se tem meio de certificar a
qualidade do produto. Com esse Software,
qualquer peça de carne vendida numa das
lojas participante do programa, poderá
ser identificado até na sua origem.
Dessa forma, é possível saber em que
fazenda o animal foi criado, manejo
sanitário, alimentação, onde foi
abatido, etc.
O banco de dados cadastra os
fornecedores, que através de formulário
de adesão, informam ao programa a data
de entrega dos novilhos e novilhas. Com
as visitas as propriedades os técnicos
do Fundepec coletam as demais
informações necessárias aos trabalhos de
rastreabilidade. Os produtores
cadastrados receberão do Fundepec um
relatório sobre classificação, dando
detalhes referentes a acabamento,
maturidade e peso.
Na indústria a coleta de informações
continua com dados de resfriamento,
processamento, embalagem e transporte.
Depois que a carne é transportada, o
sistema é alimentado com dados sobre as
condições de recebimento, armazenagem,
manipulações e exposição do produto nas
gôndolas das lojas. A partir dessas
informações, o Software gera um
relatório de feedback para os
frigoríficos a respeito das condições da
carne, gordura, temperatura, cor,
conservação.
Os técnicos do Fundepec realizam visitas
constantes ás lojas, para efetuarem
pesquisas de mercado junto ao
consumidor, e checar condições de
higiene, manipulação, armazenamento e
exposição, coletando informações do
varejo para compor o banco de dados.
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