Histórico
O
avestruz vem sendo utilizado para a produção
de penas há mais de mil anos. Aparece citado
no Antigo Testamento, e o comércio foi
intenso na Era Egípcia, Assíria e Babilônica.
Também nos tempos das Cruzadas, suas plumas
foram trazidas para a Europa e tornaram-se
famosos adornos da realeza como das rainhas
Maria Antonieta, da França e Elizabeth, da
Inglaterra (séc. XVI e XVII). O habitat
do Avestruz se estendia das regiões secas e
áridas da África, incluindo a África do
Sul, África Leste e o Saara, até os desertos
do Oriente Médio. No entanto a caça
excessiva colocou em naco esta espécie. Em
1875, devido a grande matança para a coleta
de plumas, muitos avestruzes do Norte da África
haviam sido exterminados (Jensen et al. 1992).
No final do século XIX, existiam poucos
avestruzes no Norte da África e foram
considerados extintos na Ásia Ocidental.
Depois, desapareceram da Síria e, por volta
de 1930 o avestruz quase que é exterminado na
Ásia.
Foi
a domesticação que salvou a espécie. Na África
do Sul, em 1863, foram estabelecidas as
primeiras fazendas de avestruzes, os trabalhos
de Arthur Douglas, que publicou em 1881 o
primeiro livro sobre o assunto; Ostrich
Farming in South África. Em 1913, as penas do
avestruz ocupavam o 4º lugar nas exportações
daquele país. Com a chegada da 1ª e 2ª
guerra mundial, houve um colapso desse
mercado, e em razão disto, os fazendeiros
sul-africanos começaram a explorar outros
produtos do avestruz: a carne e o couro. Em
poucas décadas esta atividade se expandiu e
as aves foram levadas para outros países na
América do Norte destacando-se os EUA, que
hoje possui o segundo maior plantel de
animais. Na América do Sul, no Brasil chegou
comercialmente em 1994.
Na
África do Sul, há dois tipos diferentes de
exploração de avestruz: para a produção de
penas e para a produção de carne e couro.
Nas fazendas voltadas para a exploração de
penas, tanto os machos quanto às fêmeas são
depenados par ocasião da muda natural, o que
ocorre cerca de três vezes a cada dois anos.
Nestas fazendas, os ovos são incubados
artificialmente, para evitar que as penas
sejam danificadas quando a ave fica no ninho.
Na incubação natural, os machos e as fêmeas
se revezam para chocar os ovos, deitando-se
sobre eles. Em geral, os ovos são levados
para serem incubados fora da propriedade, em
incubatórios de terceiros. Após o
nascimento, os filhotes retomam para o dono.
Este sistema poderá vir ser adotado no Brasil
como forma do baratear a produção, podendo
ser efetuado através de cooperativas. Na África
do Sul, a carne e o couro representam 85% do
faturamento da indústria de avestruzes. As
aves, na sua maioria criadas confinadas, são
abatidas entre os 12 a 14 meses de idade. São
poucas as fazendas que realizam todas as
etapas de produção, do ovo ao abate.
Geralmente as tarefas são divididas em
etapas, um produtor cria os pintinhos até a
idade de três meses e meio, vende para um
outro produtor que faz a recria até os sete
ou oito meses, vendendo-as então para serem
terminadas até a idade do abate, ou seja, em
tomo dos quatorze meses. Cerca de 50 mil a 120
mil avestruzes são abatidos anualmente para a
obtenção de carne, couro, produtos secundários
e penas. Estes dados, relativamente baixos,
indicam que um número significativo de aves
é mantido para a produção de penas.
A
África do Sul mantém uma venda regular de
penas de avestruz. As melhores são exportadas
para a Europa e América, enquanto as penas
menores são usadas na fabricação de
espanadores. Nos EUA estão sendo usadas também
pela indústria automobilística, para a
limpeza do carro antes da pintura, e pelos
fabricantes de computadores, em virtude das
suas propriedades de atrair as partículas de
poeira.
Classificação
zoológica
A
classe das aves divide-se em duas superordens,
a superordem Paleognathae (aves sem
quilha, ou crista lamelar mediana, no osso
esterno) e superordem Neognathae (aves
com quilha no osso esterno). Pelo estudo dos fósseis,
é possível reconhecer que as aves paleognatas
eram muito mais numerosas que na atualidade.
O
avestruz pertence ao grupo das aves ratitas,
da superordem das Paleognatas, e
apresenta características anatômicas o
fisiológicas que a diferenciam das aves
carinadas, entre as quais: a ausência de
quilha no osso esterno, a perda da capacidade
de vôo, a falta da glândula uropigiana e a
separação de fezes e urina na cloaca (Sick,
1985). As ratitas são, em geral, consideradas
as aves atuais mais primitivas do ponto de
vista filogenético ou, mais exatamente,
constituem um grupo muito antigo, atualmente
especializado (Cracraft, 1974; Sick, 1985).
Conhecem-se
quarenta e sete espécies de aves ratitas
extintas, entre as quais mencionam-se as moas
(Dinomithidae), as aves elefantes (Aepyomithidae),
o Sylvornls de Nova Caledônia e outras espécies,
relacionadas com os grupos viventes (Sibley
& Alquist, 1981). Existem dez espécies de
aves ratitas atuais: o avestruz (Struthlo
camelus) da África e Arábia, duas espécies
de emas (Rhea americana e
Pterocnemia pennata) da América do Sul, o
emu (Dromaius novaehollandiae) das planícies
da Austrália, três espécies de casuares (Casuarius
bennetti, C. casuarius, C. unappendiculatus)
da Austrália, Nova Guiné e ilhas vizinhas, e
três espécies de kiwis (Apterix haastii,
A. owenil, A australis) da Nova Zelândia
(Natura, 1987).
As
semelhanças morfológicas, bioquímicas,
moleculares, genéticas, parasitológicas e
comportamentais entre as aves ratitas fazem
supor uma origem comum ou monofilética destas
aves. No caso dos avestruzes e das emas,
consideradas, entre as aves ratitas, as mais
especializadas (Cracraft, 1974), supõe-se que
sua separação tenha ocorrido há 80 milhões
de anos (Sibley & Alhquist, 1981; Sibley
& alhquist, 1986), quando se completou a
separação das duas placas tectônicas que
deram origem á América do Sul e África.
As
evidências geológicas indicam que estes dois
continentes começaram a se separar pelo sul.
E provável que o contato existente entre o
Brasil e o oeste da África, durante o período
Cretáceo médio, há cerca de 100 milhões de
anos, já teria sido desfeito no Cretáceo
tardio, há aproximadamente 80 milhões de
anos, por uma separação de cerca de 800 Km.
Por outro lado, a separação entre África e
as Ilhas Canárias parece não ter sido
completada antes de 12 milhões de anos atrás,
a julgar pelas evidências obtidas nas análises
das cascas dos ovos de avestruz encontradas na
Ilha de Lanzarote, a leste das Canárias
(Sauer & Rothe,1972).
Classificação
|
Classe:
|
Aves
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Subclasse:
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Neornithes
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Superordem:
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Paleognathae
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Ordem:
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Struthioniformes
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Família:
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Struthionidae
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Gênero:
|
Struthio
|
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Espécie:
|
Struthio
camelus, Linn
|
Existe
uma única espécie de avestruz e seis subespécies,
vulgarmente agrupadas em três tipos: African
black (a doméstica), Redneck e Blueneck:
-
Struthio camelus massaicus (Redneck): pele
avermelhada, encontrado no Quênia e Tanzânia;
-
Struthio camelus molybdophanes (Blueneck):
pele azulada, encontrado na Somália, Quênia
e Etiópia, sendo a variedade mais distinta;
apresenta o topo da cabeça sem penas; a
pelagem do pescoço e das coxas é azulada, a
plumagem do corpo dos machos é preta e branca
e nas fêmeas a coloração é cinza mais
suave;
-
Struthio camelus synacus (Blueneck):
considerado extinto na década de 1940;
habitavam os desertos da antiga Palestina e Pérsia;
Com relação à vocalização, pode-se dizer
que esta ave é muda. Os filhotes da avestruz
piam desde a fase final da incubação, ainda
dentro dos ovos, até os primeiros meses de
vida, com o tempo, deixam de emitir sons. Na
época do acasalamento, no entanto, o macho,
infla o pescoço e emite sons parecidos com
rugidos, primeiro curtos, depois longos.
-
Struthio camelus camelus (Redneck): pele
vermelha - encontrado no Norte da África,
tinham sua área nativa da Mauritânia até a
Etiópia, tem a parte superior da cabeça
desprovida de penas e rodeada de pequenas
penas duras de coloração parda, que descem
pela parte posterior do pescoço: as penas do
corpo são pretas, enquanto que as das asas e
da cauda são brancas a pele do pescoço é rósea;
as penas do corpo da fêmea são
marrom-escuro, sendo as das asas e da cauda
mais descoradas;
-
Struthio camelus australis (Blueneck):
animal oriundo do Sul da África, Zimbábue e
Namíbia, atualmente limitadas aos parques e
pequenas regiões da Namíbia;
-
Struthio camelus var domesticus (African
Black): oriundo do cruzamento entre synacus,
camelus e australis, geralmente
identificado como S. c. australis;
apresenta penas na cabeça, seu pescoço é
cinza, avermelhando-se na estação de reprodução,
e a cauda é marrom.
Existe
um mito de que o avestruz enterra a cabeça no
chão quando amedrontado, mas não é verdade.
O comportamento defensivo destes animais é
bem característico. Quando pegos de surpresa,
os filhotes, os animais mais jovens e
eventualmente algum adulto, agacham-se,
esticando o pescoço rente ao chão procurando
camuflar-se na vegetação. Somente quando no
ninho, as fêmeas escondem a cabeça na areia,
para não serem vistas a distância. Talvez
venha daí o popular mito sobre o seu
comportamento.
A
variedade doméstica atinge a maturidade
sexual entre dois a três anos, sendo as fêmeas
mais precoces do que os machos. O macho,
quando adulto, é maior que a fêmea e tem
plumagem diferenciada, plumas pretas pelo
corpo e brancas nas pontas das asas e cauda A
fêmea possui plumagem acinzentada ou
amarronzada. À
medida que o animal cresce, acentuam-se as
diferenças entre falo do macho e da fêmea,
e, por volta de 5-6 meses, os animais podem
ser diferenciados simplesmente observando-os,
durante a micção/defecação: ocorre inversão
parcial da cloaca com exteriorização do falo
que pode ser visualizado, mesmo a distância.
O
avestruz possui apenas dois dedos, diferindo
da ema, que tem três. E dotado de um par de
asas rudimentares, as quais não possui
amplitude para vôo, mas auxiliam no equilíbrio
do animal nas corridas. Esta ave pode alcançar
velocidades de até 80 Km/h. Possui
temperatura corporal entre 38,5 a 39ºC (é
uma temperatura baixa para uma ave; a galinha,
por exemplo, tem uma temperatura corporal em
torno de 41ºC). É dotado de um aparelho
digestivo, que se inicia no bico, seguindo
pela faringe, esôfago, não apresentando papo
(comum nas aves Neognatas), com dois
estômagos, um glandular e outro musculoso,
intestino delgado longo, intestino grosso
(dotado de dois cecos bem desenvolvidos, onde
ocorre intensa digestão microbiológica.
havendo o aproveitamento da fibra vegetal),
encerrando na cloaca. As fezes são excretadas
separadas da urina, a qual apresenta parte
liquida e parte sólida. É um animal que não
sente o paladar dos alimentos.
Características
O
avestruz é a maior ave existente, com altura
média, do chão até a cabeça, variando de
2,0 a 2,5m, sendo aproximadamente 0,90 m de
pescoço e 1,0m de pernas. O comprimento do
corpo é cerca de 2,0 m As aves adultas pesam,
em média, 130 a 150 Kg.
A
longevidade é outro aspecto positivo desta
espécie. Na natureza, o avestruz se reproduz
até 30 a 40 anos Em cativeiro, as domésticas
são capazes de procriar até os 50 anos,
podendo viver até 60 a 70 anos Uma fêmea
adulta põe em média 30 a 50 ovos por ano no
período. Algumas poedeiras chegam a pôr mais
de 100 ovos. Os ovos pesam em média 1,2 a
1,8kg (equivalente a mais de 20 ovos de
galinha); se férteis, 00quando incubados,
levam de 42 a 43 dias para eclodirem. Os
pintinhos nascem com 25 cm de altura e cerca
de 1 Kg de peso vivo.
São
aves sociáveis, vivem em bandos. Na natureza,
vivem em conjunto com outros animais. Seu
comportamento se modifica por ocasião do período
reprodutivo, quando alguns machos e fêmeas
dominantes tomam atitudes agressivas. Seu
comportamento agressivo é manifestado através
de chutes que são bastante perigosos.
Podem
ser agrupados para acasalamento em colônias,
em pares ou trios (duas fêmeas e um macho),
onde uma das fêmeas é dominante (o macho a
escolhe). Há uma difícil coabitação entre
machos adultos, ou seja, numa criação
comercial, os grupos devem ficar em piquetes
separados. Na natureza, os machos chocam os
ovos à noite, as fêmeas durante o dia.
A
idade que exige maior atenção é do
nascimento aos três meses, freqüentemente
com maior taxa de mortalidade até as 4
semanas. Até os 3 a 6 meses de idade, devem
ser alojados em galpão coberto, arejado, onde
permanecerão durante a noite e por ocasião
das chuvas. Anexo aos galpões, há a
necessidade de piquetes para exercício dos
filhotes, fundamental para o seu bom
desenvolvimento.
O
avestruz é um animal que vive e se reproduz
em áreas semi-áridas, podendo vir a ser
criado nos campos, cerrados e caatingas, sem
necessitar desmatamento.
Os
seus predadores na natureza são lagartos,
gaviões, cachorro do mato, raposa e outros
que poderiam pisar nos ninhos.
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