Apicultura
O
Brasil, apesar de ser o sétimo produto mundial
de mel, ainda importa 1/4 do que consome. Isso
dá uma idéia de como anda esse mercado pra lá de
promissor. Saiba como se tornar um apicultor de
sucesso.
Acredita-se
que a criação de abelha também chamada de
apicultura, teve início no Egito há cerca de
quatro mil anos e foi difundida entre gregos e
romanos que a aperfeiçoaram. Durante séculos, a
técnica de criação foi mantida no estado
primitivo e, somente no século XVII, com as
importantes descobertas sobre os aspectos
biológicos das abelhas, é que foram criados os
equipamentos especiais para a sua cultura
racional e exploração econômica.
No Brasil a
atividade iniciou no século XIX, quando
imigrantes italianos e alemães estabelecidos no
sul do país trouxeram as abelhas da subespécie
apismellifera mellifera. Por se tratarem
de abelhas jovens e de fácil manejo, o seu
desenvolvimento foi muito acelerado, produzindo
ótimos resultados.
Em 1956, Dr. Warwick
Estevan Kerr trouxe da África, para fins
científicos, cerca de 50 abelhas rainhas da
subespécies Apis mellifera andansoni e Apis
mellifera capensis e as introduziu em
Piracicaba, interior de São Paulo.
Acidentalmente houve uma fuga dessas abelhas que
acabaram cruzando com as européias já existentes
no país. Desse cruzamento resultaram as abelhas
africanizadas e, em menos de meio século, o
Brasil saltou da posição de quadragésimo quinto
para o sétimo lugar entre os maiores produtores
mundiais de mel.
Com tudo a produção
ainda hoje é pequena para atender à enorme
demanda nacional, pois o país chega a importar
um quarto do total de mel consumido anualmente.
Esses dados reafirmam que o mercado para
atividade está em plena expansão e que está na
hora de arregaçar as mangas e começar a
produzir, já que a criação de abelhas requer
áreas pequenas e investimentos baixos.
Como iniciar
a criação.
Para dar inicio à
apicultura é preciso, em primeiro lugar,
entender que jamais as abelhas podem ser
instaladas em fundos de quintais. Um dos motivos
é porque as flores, fontes de néctar e pólen são
encontradas em pequenas quantidades em cidades e
depois porque as abelhas poderiam atacar
famílias vizinhas. Portanto, o local destinado
às instalações do apiário deve ser escolhido
cuidadosamente, obedecendo as exigências das
abelhas e visando a segurança do homem.
O local ideal para
manter um apiário deve possuir um terreno bem
drenado e de fácil acesso. Além disso, deve ser
protegido contra ventos muito fortes e frios. O
sol deve ser abundante e o sombreamento
moderado. É muito importante que haja vegetação
vasta nas proximidades da colmeia, já que nela
se encontra a fonte de alimento para as abelhas
e quanto maior for a facilidade de acesso aos
nutrientes, maior será a produção.
A região escolhida
deve ser protegida de barulhos excessivos, de
preferência que esteja localizada a uma
distância de 500 metros de residências e
estradas principais onde se locomove pessoas e
veículos. Outro detalhe imprescindível é a
presença de água natural nas proximidades do
apiário, pois as abelhas consomem muita água
para sua manutenção.
Quanto a aquisição
do enxame o apicultor pode optar em comprar uma
colônia de abelhas de outros criadores ou
capturá-las com caixas-iscas em seu habitat
natural, ou seja, sem nenhum custo é possível
capturar as abelhas na natureza.
“O ideal é colocar
na caixa-isca um pouco de cera de abelha
derretida e resíduos de própolis para atrair a
família”, ensina o apicultor Miguel Matias
Benyhe, 51 anos que herdou de seu pai todas as
técnicas da apicultura e hoje, com a ajuda de
seus filhos, maneja cerca de 300 colmeias que
produzem anualmente entre duas e quatro
toneladas de mel.
Aspectos
biológicos.
As abelhas são
insetos disciplinados e extremamente
organizados. Costumam formar famílias com uma
população em torno de 60 a 80 mil operárias, uma
rainha e algumas centenas de zangões. Nos favos,
mais especificamente nos compartimentos
denominados alvéolos, as abelhas passam por
todas as fases de desenvolvimento, ou seja,
ovos, larvas e pupas. Também nos favos estão o
pólen e o néctar, este último transformado em
mel com auxílio de enzimas salivares das
operárias, associados à desidratação.

As abelhas “roubam” o mel encontrado estocado,
por isso o quarto de desoperculação deve ser bem
vedado para evitar a pilhagem.
Colméia.
A colméia deve ser
construída dentro dos padrões técnicos
recomendados ou então adquirida diretamente de
produtores credenciados e habilitados, por um
custo médio de R$ 75,00. É importante que o
apicultor fuja da tentação de baratear seus
custos construindo ou adquirindo materiais
inadequados, pois a aparente economia inicial
poderá se transformar num prejuízo futuro.
Em geral, uma
colméia é formada por um fundo, um ninho
reservado à rainha e onde desenvolve a família;
uma melgueira onde são armazenados o pólen e o
mel; uma dela excluidora que é destinada ao
confinamento da rainha ao ninho permitindo que a
melgueira fique livre para o depósito de mel;
dez quadros móveis onde ficam os favos de mel ou
as crias; e uma tela de proteção utilizada para
cobrir a colméia.
Os quadros móveis
normalmente são montadas com cera alveolada, uma
lâmina feita à base de cera de abelha e já
moldada com o formato de hexágono para facilitar
o trabalho das abelhas na construção do favo.
Quanto as madeiras utilizadas na construção da
colmeia, devem ser leves para facilitar o
manuseio e sem a presença de cheiro forte que
pode afugentar as abelhas.
Para a instalação de
um apiário, é muito importante que a colmeia não
seja colocada diretamente no solo, pois a
umidade fará com que a estrutura de madeira
apodreça. Por isso, deve-se utilizar cavaletes
que suportem uma ou duas colméias. Esses
cavaletes podem ser feitos de madeira resistente
ou alvenaria e devem possuir uma altura em torno
de 60 a 80 centímetros do chão para que o
apicultor trabalhe comodamente na hora de fazer
o manejo.
Após a construção
dos cavaletes, é preciso que se coloquem aos
seus pés algum suporte com água para evitar que
as formigas subam para roubar o mel ou até mesmo
destruir as crias.

Após utilizar o fumigador, com uma técnica que
exige paciência e coragem, o apicultor Miguel
Benyhe permite que as abelhas construam uma
espécie de “Barba” em seu rosto.
EQUIPAMENTOS
NECESSÁRIOS
Na apicultura, os
equipamentos e roupas específicos são
imprescindíveis, principalmente quando se vai
manejar a colméia. As roupas de proteção
individual são fabricadas em diversos modelos e
é necessário que sejam largas e confortáveis.
Não é aconselhável a utilização roupas
confeccionadas em algodão porque as abelhas
ficam mais agressivas.
Segundo Benyhe,
embora as roupas de proteção sejam fabricadas
normalmente na cor branca, a sua preferência é
pela cor verde, pois imita a coloração do
habitat natural das abelhas, ou seja, a
vegetação.
Estas vestimentas de
tecido ou nylon são compostas de uma máscara ou
véu que nunca deve ficar encostado no rosto, uma
bota, um macacão com a parte da calça presa
sobre a bota e uma luva emborrachada com parte
antiaderente que é usada sobre a bainha da
manga.
Entre os
equipamentos utilizados na apicultura, o
fumigador é obrigatório. Ele possui a função de
produzir fumaça simulando incêndio na colméia.
Com o aparente perigo, as operárias engolem todo
o mel que conseguem para salvar o alimento numa
suposta fuga. Assim, com o abdômen cheio de mel,
não tem disposição suficiente para acionar o
ferrão, perdendo a agressividade e facilitando o
trabalho do produtor. Para a combustão podem ser
usados materiais como raspas de madeira ou
folhas de eucalipto. Nunca utilize vegetação que
possa produzir cheiros fortes. A fumaça
produzida deve apresentar coloração azulada ou
branca e a intensidade necessária da fumaça
também deve ser conhecida pelo apicultor.
Em época de
carência, por exemplo, quando existe pouca
reserva de mel em pólen, não se pode colocar um
volume de fumaça muito grande dentro da colméia,
pois a tendência e que as abelhas abandonem o
local.
Outros utensílios
necessários no apiário são o formão que servem
para abrir e remover as partes móveis da
colméia, o pegador de quadros as facas e garfos
desoperculadores e a centrífuga onde o mel é
retirado.

Você pode capturar abelhas em seu habitat
natural através de caixas-isca. Coloque um pouco
de cera de abelha derretida e resíduos de
própolis para atrair a família.
Manejo
A criação de abelha
não exige muito trabalho do apicultor no manejo,
no entanto, deverá passar por intervenções
técnicas até que esteja em condições de produzir
mel de forma abundante. Isso acontece entre os
meses de julho a setembro. Nesta época, é
recomendável levar um ninho vazio no apiário que
servirá como depósito de própolis ou ainda como
troca de um segundo ninho que possa estar
estragado ou defeituoso.
É necessário ainda
que se faça uma avaliação de sanidade das
abelhas, pois elas também costumam ser atacadas
por pragas e doenças. Outros detalhes
importantes nestas revisões semanais são: a
verificação de reservas de alimentos, a
necessidade em reforçar famílias ou controlar a
população da colônia, colher o mel e avaliar a
postura da rainha.

O
processo de desoperculação é simples basta usar
uma espátula e armazenar rapidamente o mel.

Centrífuga
manual utilizada pelo apicultor Miguel Matias
Benyhe para extrair o mel.
Para fazer estas
revisões, o apicultor deve utilizar as
vestimentas e equipamentos adequados. Após
acionar o fumigador, é preciso aguardar alguns
minutos para retirar a cobertura da colméia.
Depois de retirada introduz- se o formão para o
deslocamento da tampa. Passada esta etapa o
fumigador deve ser novamente acionado para
dispersar as abelhas.
O processo é fácil,
mas requer cuidados do apicultor. A ação deve
ser lenta e sem muito barulho para não irritar
os insetos. A tampa deve ser colocada no chão de
forma invertida para não haver o esmagamento das
abelhas. Quando esmagadas, elas eliminam um
cheiro característico para que sua família
ataque o agressor. Um detalhe que deve ser
observado com atenção é a localização do
apicultor. Ele deve ficar sempre na lateral da
colméia para evitar o choque com as abelhas em
sua linha de vôo. O produtor deve acionar o
fumigador em todas as etapas de abertura da
colméia.
Na etapa da
melgueira, onde se encontra o mel, a operação
deve ser iniciada sempre a partir do segundo
quadro para evitar o esmagamento das abelhas. O
ideal é puxar todos os quadros para facilitar o
manejo. Depois e retirada a melgueira, inicia-se
então a avaliação da rainha e sua postura e até
de algumas reservas de mel e pólen que existem
nas extremidades do ninho.
Comunicação
das abelhas.
Uma das formas mais
comuns de comunicação entre as abelhas acontecem
quando as operárias campeiras retornam à colmeia
com algum alimento. Para informar as demais onde
se encontra o alimento, as campeiras executam
diversos tipos de vôo. Quando a fonte de
alimento se localiza a menos de 100 metros da
colmeia, o vôo é executados em círculos. E
quando se localiza a mais de 100 metros, o vôo é
executado em oito ou em requebrado, tendo sempre
o sol como referencial. Quando mais intenso for
o vôo, maior será a fonte de alimento a ser
explorada.
Reprodução.
Somente a abelha
rainha tem a função de postura. Ela mantém o
equilíbrio populacional da colônia e por isso é
a única fêmea fértil de toda a colméia. Após o
quinto dia de vida ela está pronta para o vôo
nupcial. Em dias quentes, de preferência, a
rainha voa em alta velocidade e a uma altura em
torno de 40 metros de altitude. Ela é fecundada
por cerca de dez a doze zangões que são capazes
de captar seu odor a quilômetro de distância.
Após a fecundação, a rainha retorna a colméia e
inicia uma fase de postura que pode chegar até
três mil ovos por dia. Esses ovos darão origem
às operárias, aos zangões e até mesmo às abelhas
princesas. Os ovos das operárias são depositados
em alvéolos menores e seu ciclo evolutivo é de
21 dias até a nascimento. Passam três dias na
fase de ovo, seis na de larva e doze na de pupa,
morrendo aos 42 dias de vida. São fêmeas que não
reproduzem e exercem diversas funções dentro da
colônia que podem variar entre construtoras,
guardiãs, campeiras, coletoras de água, resina,
néctar e pólen. Já os zangões passam por um
processo parecido. Entretanto, levam 24 dias até
o nascimento e são depositados em alvéolos
maiores. Ficam três dias na fase de ovo, sete
dias na de larva e 14 na de pupa. Morrem logo
após o acasalamento ou de forma natural aos oito
dias de vida. Eles não possuem ferramentas de
trabalho, mas ajudam no aquecimento das crias.
Sua principal função é a de fecundar a rainha.
A rainha possui um
ciclo evolutivo completamente diferente e sua
vida útil pode ocorrer até dez anos. Elas
permanecem três dias na fase de ovo, cinco na de
larva e sete na de pupa, emergindo da realeira
após 15 dias.

Um decantador é utilizado para separar o mel.
depois de sete dias de descanso, a cera sobe e o
própolis desce e permanece no fundo, facilitando
a retirada do mel.

A
cera é matéria-prima para fabricação de velas de
alta qualidades, pastas de polimento, na
indústria de componentes eletrônicos, cosméticos
e farmacêuticos.
ALIMENTAÇÃO Na
natureza, as abelhas coletam pólen e néctar das
flores para produzir seu próprio alimento.
Existem determinadas espécies vegetais cuja
floração apresenta maior concentração de pólen e
néctar e que devem ser cultivadas próximo ao
apiário. Entre elas estão o eucalipto e árvores
frutíferas com algumas espécies do gênero
citrus.
Durante o inverno, em
períodos de escassez de alimento, o apicultor
deve suprir as necessidades das abelhas com
alimentação artificial que pode ser feita com um
xarope de açúcar ou de mel. Há três tipos de
alimentação que podem ser fornecidas às abelhas
nesta época: a alimentação de subsistência que
serve para matar a fome a alimentação
estimulante, para fazer com que a rainha não
perca a sua postura. Ela é feita 70 dias antes
do início da floração, utilizando mel ou açúcar,
água e ingredientes à base de pólen e proteínas
como farinha de soja a alimentação remédio,
ministradas às famílias de abelhas quando são
atacadas por doenças. O medicamento pode ser
adicionado no alimento comum.
COLHENDO O MEL
Após o período de
floração, o mel deve ser colhido. A extração do
mel deve ser feita o mais rápido possível, logo
após a colheita, e em locais apropriados,
geralmente conhecidos como casa do mel. O
ambiente deve ser bem higiênico, uma vez que o
mel é um produto alimentar.
Quando o favo é
colhido, apresenta uma camada de cera chamada de
opérculo que cobre o mel. Essa cera deve ser
retirada com uma faca ou garfo antes de colocar
o favo na centrífuga. Logo após a
desoperculação, os favos são colocados na
centrífuga onde o mel é retirado sem
danificá-los, sendo possível aproveitá-los
posteriormente. Para o envase do mel que pode
ocorrer da forma manual, semi- automática ou
automática, o apicultor poderá optar por
embalagens de lata, vidro ou plástico. Segundo
Benyhe, o envase automático é recomendável
apenas para grandes produtores de mel.
CONHECENDO A ANATOMIA DAS ABELHAS
Corpo da abelha é
constituído por três partes: cabeça, tórax e
abdômen. Na cabeça se encontra os olhos, também
chamamos de ocelos. A percepção de movimentos
por parte da abelha acontece em câmara lenta e
sua visão é capaz de captar as cores amarela,
verde- azulada, azul e ultravioleta.
Seus principais
órgãos sensoriais estão localizados nas antenas.
Esse sistema é tão desenvolvido que um zangão
consegue localizar uma rainha virgem a uma
distância aproximada de até quilômetros de
distância durante um vôo nupcial.
Ainda na cabeça
localiza-se o aparelho bucal, cuja função é
mastigar e moldar a cera, além de sugar o néctar
do interior das flores. Na região torácica
existem as asas e os pares de pernas. Para as
operárias, as asas não servem apenas para voar e
se locomover, elas também as utilizam para
ventilar a colméia e ajudar na desidratação do
mel.
Possuem olhos para
enxergar dentro da colméia e outros olhos
compostos para enxergar todos os ângulos do
campo. As abelhas se conhecem pelo cheiro
característico do ferormônio exalado pela
rainha. Para se comunicar e encontrar a fonte de
alimento utilizam as antenas.
Na rainha o aparelho
reprodutor costuma ser bem desenvolvido em razão
de sua função procriatória. Também nessa região
encontra-se o ferrão que normalmente só é
acionado em disputas com outra rainha pelo
domínio da colônia.
O zangão também
possui aparelho reprodutor ativo, uma vez que
sua função é justamente a de fecundar a rainha.
Já nas operárias o aparelho reprodutor é
atrofiado, pois elas não procriam. As operárias
são dotadas ainda de glândulas de cheiro que
facilitam o agrupamento da família e glândulas
ceríferas que produzem as placas de cera a serem
usadas na construção e reparos no favo de mel.
Seus ferrões são acionados em defesa da colônia,
contra possíveis inimigos.
Fonte: escala rural
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